Crase
1. Por que analisar a proposta, mas referir-se à proposta?
Uma comissão analisou a proposta e depois se referiu à proposta. A palavra proposta continua feminina; o que mudou foi a ligação com o verbo. Os exemplos deste capítulo são hipotéticos.
Em “analisou a proposta”, a acompanha o nome daquilo que foi analisado. É artigo definido: apresenta o nome como identificável no contexto. Esse nome de coisa, pessoa, lugar ou ideia é um substantivo. Não existe outra ligação entre analisou e seu complemento.
Já quem se refere, refere-se a alguma coisa. Esse primeiro a é preposição, palavra que estabelece uma relação entre termos. Como a proposta também recebe artigo, encontram-se dois elementos:
referiu-se a + a proposta → referiu-se à proposta.
A fusão recebe o nome de crase; o sinal escrito em à é o acento grave. No plural, a + as resulta em às: “referiu-se às propostas”. Portanto, palavra feminina não basta: é preciso examinar a construção inteira.
A ligação exigida pelo verbo ou pelo nome
Essa relação de dependência chama-se regência. A palavra que determina a ligação é o termo regente. Ele pode ser um verbo, como referir-se a, ou um nome, como favorável a e acesso a. Assim, “favorável à proposta” e “acesso à informação” têm a mesma combinação de preposição e artigo.
O teste não é perguntar apenas “tem complemento?”. Analisar também tem complemento, mas o recebe diretamente: “analisou a proposta”. Gostar pede outra preposição: “gostou da proposta”, com de + a, não com a + a. Para decidir a crase, importa qual ligação ocorre naquele sentido.
Uma mesma frase pode mostrar os dois papéis: “A comissão prefere a análise cuidadosa à decisão precipitada”. Na construção preferir uma coisa a outra, a primeira opção entra diretamente; a segunda é introduzida por a. O primeiro a é artigo; o segundo encontro produz à.
O teste do masculino revela, mas não inventa, a estrutura
Mantenha o verbo e troque apenas o nome por um masculino equivalente:
| Construção feminina | Correspondente masculino | O que aparece |
|---|---|---|
| Analisou a proposta. | Analisou o projeto. | Somente artigo. |
| Referiu-se à proposta. | Referiu-se ao projeto. | Preposição + artigo. |
| Referiu-se a uma proposta. | Referiu-se a um projeto. | Preposição, sem artigo definido. |
Se surge ao/aos, há o encontro correspondente a à/às. Não troque também o verbo ou a determinação do nome para forçar o resultado. O teste auxilia a análise; não substitui o conhecimento da construção. Nas expressões fixas de modo e instrumento, estudadas adiante, ele tem limites. Quando a troca é compatível com o sentido, para a/para as também ajuda a revelar o artigo: foi para a Bahia. Isso não prova, sozinho, que a construção original exige a preposição a.
2. Quando falta um dos elementos
Sem artigo definido, não há a fusão básica
Compare “referiu-se a propostas” com “referiu-se às propostas”. No primeiro caso, há apenas preposição antes do plural; no segundo, há também o artigo as. A segunda construção pode apresentar um conjunto identificado no contexto. Não são variantes automaticamente equivalentes.
Em a uma proposta, uma é artigo indefinido: apresenta uma proposta sem identificá-la como já conhecida. Não fornece o segundo a necessário à fusão.
Isso vale mesmo com outras palavras antes do nome: a futuras servidoras, a outras formas, a duas propostas não contêm artigo; às futuras servidoras, às outras formas, às duas propostas contêm. Um número ou uma palavra feminina não exige o acento por si só. Tampouco todo modificador torna o artigo obrigatório: “apoio a futuras servidoras do órgão” continua possível sem artigo.
Na construção básica, não escreva à propostas: o artigo singular a não acompanha esse plural. Também não confunda retirar apenas o acento de às propostas, produzindo as propostas, com retirar o artigo, produzindo a propostas. Em “referiu-se as propostas”, perdeu-se a preposição exigida pelo verbo.
Pronomes: observe quais formas admitem artigo
Pronomes representam alguém ou algo, ou acompanham um nome. Formas que representam participantes da fala ou retomam pessoas, como mim, você, ela, nós, não recebem artigo nas construções abaixo. O mesmo bloqueio ocorre com esta, essa, qualquer, cada, nenhuma:
Entregou a ela; deu a palavra a mim; dirigiu-se a você; aludiu a esta norma; ofereceu apoio a qualquer pessoa, a cada unidade.
Há preposição, mas não há segundo a. Isso não significa que “antes de pronome nunca há crase”: à mesma norma, à própria interessada, à outra pessoa e às outras unidades admitem artigo. Os demonstrativos aquele, aquela, aquilo têm ainda uma forma própria de contração, explicada na seção 4.
Também é sem acento a Vossa Excelência, pois essa forma de tratamento não admite artigo. Já senhora e senhorita podem admiti-lo: “entregou o convite à senhora responsável”, correspondente a “ao senhor responsável”.
Com Dona e Madame, o artigo varia conforme a construção e a orientação adotada. A série didática da Escola de Magistrados do Tribunal Regional Federal da 3ª Região distingue o uso comum sem artigo de casos particularizados com ele. Não deduza uma proibição ou uma obrigação apenas do título: a Dona Lúcia contém só preposição; à Dona Lúcia pressupõe também o artigo adotado naquele contexto.
Verbo, masculino e palavras repetidas
Em “começou a analisar a proposta”, o primeiro a liga-se ao verbo analisar; o segundo é artigo de proposta. Eles não estão no mesmo ponto da construção e não se fundem. Analisar, adquirir, produzir são formas de infinitivo, que apresentam a ação sem situá-la, por si só, num tempo definido. Não recebem artigo feminino: a analisar, a adquirir, a produzir.
Antes de palavra masculina, não há artigo feminino: a prazo, a lápis, a cavalo, a respeito de. Em a partir de, partir é infinitivo. A ressalva é haver uma palavra feminina subentendida, como em à moda de, não simplesmente aparecer um nome masculino.
Nas expressões repetidas cara a cara, frente a frente, gota a gota e passo a passo, o a liga os termos sem artigo. O feminino de cara ou gota não muda essa estrutura.
Há ainda um a que substitui um nome: “A comissão recebeu a proposta e a examinou”. Esse a é pronome, não preposição nem artigo; não recebe acento grave. O estudo completo de suas posições pertence a Colocação pronominal.
3. O que realmente varia nos casos facultativos
Dizer que o acento é facultativo não significa poder apagar qualquer à. Significa que há duas construções admitidas: uma com os dois elementos e outra sem um deles.
Possessivos
Minha, sua, nossa indicam posse ou relação com alguém; são possessivos. Antes deles, acompanhando um substantivo feminino, pode-se empregar ou omitir o artigo:
Referiu-se a sua proposta: preposição + possessivo + nome.
Referiu-se à sua proposta: preposição + artigo + possessivo + nome.
No plural, as opções são a suas propostas e às suas propostas, não as suas propostas após referiu-se. O artigo é facultativo nessa construção; a preposição não é.
A análise muda quando o possessivo ocupa o lugar do nome omitido: “Sua proposta é semelhante à minha”. Recupera-se à minha proposta; na construção apresentada, o artigo é necessário. Compare o masculino: “seu projeto é semelhante ao meu”. Nesse emprego, não se aplica a facultatividade do artigo que acompanha o possessivo junto de um nome expresso.
Nomes de pessoas
O nome próprio feminino pode ser usado com ou sem artigo, conforme o contexto e o uso regional: “entregou o relatório a Ana” / “entregou o relatório à Ana”. A preposição de entregar algo a alguém permanece nas duas formas.
Se o nome vier individualizado por uma especificação que pede artigo, a análise muda: “referiu-se à Ana que coordenou o projeto”. Não use a fórmula “antes de nome de mulher é sempre facultativo” sem examinar a expressão inteira.
Depois de até
Para indicar limite, são admitidas até a sala e até à sala: a preposição até pode ser usada sozinha ou acompanhada de a. Na primeira forma, a é artigo; na segunda, juntam-se a preposição adicional e o artigo. Também se admitem até as três horas e até às três horas.
Alguns manuais preferem uma das formas: o Manual de Comunicação do Senado orienta o uso sem acento nas horas após até. Essa preferência de estilo não elimina a outra construção da norma geral. E a facultatividade não se estende a desde, após, entre, para ou perante.
4. Demonstrativos, relativos e nomes subentendidos
Àquele, àquela e àquilo
Os demonstrativos apontam ou retomam algo no contexto. Em aquele, aquela, aquilo, o próprio início da palavra se une à preposição:
referiu-se a + aquele projeto → referiu-se àquele projeto.
Aqui não existe artigo feminino: projeto é masculino. Por isso, àquele, àqueles, àquela, àquelas e àquilo não se explicam pela regra “antes de palavra feminina”. Já em “aquele projeto foi aprovado”, não há preposição; o demonstrativo permanece sem acento.
A que, à qual, a quem e a cujo
Um pronome relativo retoma um nome e introduz uma informação sobre ele. Para decidir a preposição, reconstrua a relação dentro dessa informação:
A comissão se referiu à proposta.
Esta é a proposta a que a comissão se referiu.
Esta é a proposta à qual a comissão se referiu.
A ligação referir-se a permanece. O relativo simples que não contém artigo; a qual contém o artigo que se funde com a preposição. No plural: “as propostas às quais se referiu”. É a função do relativo na parte da frase em que aparece, não apenas o gênero de proposta, que exige a preposição.
Sem essa exigência, não acrescente acento: “a proposta, a qual foi aprovada, será executada”. O relativo é sujeito, isto é, o termo sobre o qual se declara que foi aprovado, e não complemento introduzido por a.
Com quem e cujo, a preposição também pode aparecer, mas sem artigo: a servidora a quem entreguei o ofício; a autora a cujo texto fiz referência. Cujo estabelece a relação “o texto da autora”; não admite artigo imediatamente antes nem depois. Portanto, nem à cujo texto nem a cujo o texto.
Não confunda o relativo a qual com uma pergunta: “A qual unidade o relatório se refere?”. Nesse caso, qual é interrogativo, usado para perguntar; não é o relativo composto com artigo. Há somente a preposição antes dele.
Por que à que também pode estar certo?
Compare duas operações diferentes:
| Construção | Reconstrução | Explicação |
|---|---|---|
| A proposta a que me referi. | Referi-me à proposta. | Preposição + relativo que, sem artigo junto do relativo. |
| A proposta é semelhante à que foi aprovada. | É semelhante àquela que foi aprovada. | Preposição + demonstrativo a, equivalente a aquela, seguido de que. |
Na segunda frase, à que representa outra proposta. No masculino, teríamos “o projeto é semelhante ao que foi aprovado”. O acento não foi colocado “antes de que por ser feminino”; decorre do elemento demonstrativo existente ali.
Outras formas se esclarecem pela recuperação de um nome omitido: decisão semelhante à da comissão → à decisão da comissão; normas superiores às anteriores → às normas anteriores; regra idêntica à prevista → à regra prevista. Omitir um termo recuperável é fazer uma elipse. Conforme a construção e a análise adotada, aparecem a descrição por artigo com nome subentendido ou a equivalência demonstrativa; para a crase, importa reconhecer os dois elementos, sem inventar um artigo diretamente antes de que.
5. Lugares, casa e terra: o artigo depende do emprego
Nomes de lugares, chamados topônimos, não recebem todos o mesmo tratamento. “Foi à Bahia” combina a preposição de ir a com o artigo; “foi a Brasília” não contém artigo nesse uso. A troca por voltar da/de ajuda a identificar isso: voltou da Bahia, mas voltou de Brasília.
Esse teste verifica o artigo, não autoriza mudar a regência de qualquer verbo. Também precisa conservar os modificadores: a Roma pode contrastar com à Roma das Sete Colinas; a Brasília, com à Brasília de sua juventude. O artigo de nomes geográficos varia conforme o nome, a expressão e o uso; não se decide só pela terminação feminina.
Duas palavras comuns seguem contrastes parecidos:
| Emprego sem artigo | Emprego com artigo e preposição a |
|---|---|
| Voltou a casa: o próprio lar, sem especificação. | Voltou à casa dos pais; dirigiu-se à casa legislativa. |
| Os marinheiros chegaram a terra: terra firme, em oposição a bordo. | Voltaram à terra natal; fizeram referência à Terra, o planeta. |
Casa e terra não são palavras “proibidas para crase”. O sentido e a presença do artigo é que mudam. Ainda é preciso haver preposição: “visitou a casa dos pais” continua sem acento, pois visitar recebe esse complemento diretamente.
6. Expressões fixas: entenda o conjunto
Em “a comissão trabalhou à tarde”, o segmento responde quando?. Em “a comissão começou a tarde com uma reunião”, a tarde nomeia aquilo que se começou e contém apenas artigo. A função do conjunto separa as duas construções.
Um grupo de palavras que funciona como uma unidade é uma locução. Quando expressa circunstância, como tempo, modo ou lugar, é adverbial; quando liga um termo ao seu complemento, prepositiva; quando conecta partes da frase organizadas em torno de verbos, conjuntiva. Muitas locuções de base feminina têm acento grave consagrado:
| Função | Expressões |
|---|---|
| Tempo, modo ou lugar | à tarde, à noite, à época, às vezes, às pressas, às escondidas, à vontade, à direita, à esquerda. |
| Ligação com complemento | à espera de, à procura de, à custa de, à frente de, à margem de, à mercê de, à disposição de. |
| Relação entre acontecimentos | à medida que, à proporção que. |
Reconhecer a função evita a falsa regra “qualquer sequência feminina com a leva acento”. Por exemplo, “o recibo faz as vezes de comprovante” significa que ele exerce esse papel: as vezes integra o complemento de fazer, sem preposição. Não é a locução de frequência às vezes.
Proporção não é causa
“A precisão aumenta à medida que os dados são revisados” relaciona dois desenvolvimentos: um acompanha o outro. Já “a revisão é necessária na medida em que surgiram falhas” apresenta causa ou justificativa; conforme o contexto, também pode delimitar em que medida uma afirmação vale. As expressões não são variantes livres. No padrão formal aqui estudado, evite os cruzamentos à medida em que e na medida que.
Moda, maneira e instrumento
Em texto à Machado de Assis, recupera-se à maneira de Machado de Assis; em bife à milanesa, à moda milanesa. A elipse explica por que pode haver acento antes de um nome masculino, como em gol à Pelé. É necessário haver efetivamente sentido de estilo ou maneira; não basta encontrar um nome próprio depois de a.
Para instrumento, meio ou modo, registram-se à mão, à máquina, à bala, à vista. O acento também se sustenta na tradição gráfica e na clareza da locução; não é preciso forçar a hipótese de artigo em todos os casos. Compare lavar a mão, em que se lava uma parte do corpo, e lavar à mão, em que se indica o modo de lavar algo.
É por isso que o teste masculino tem limites: à mão contrasta com a lápis, e à vista, com a prazo, sem produzir ao. Existem divergências de análise e de grafia em certas expressões de instrumento. Aprenda as locuções registradas; não conclua que todo instrumento feminino recebe acento ou que todo esse grupo tem acento facultativo.
A distância ou à distância?
Há uma orientação tradicional que distingue a distância, sem especificação, de à distância de dois metros, com medida determinada. O Manual de Comunicação do Senado reconhece as duas grafias no primeiro caso e recomenda à distância como padrão da sua comunicação.
Assim, ensino a distância não se torna erro apenas porque outra instituição prefere ensino à distância. Preserve a orientação declarada no enunciado e o sentido da frase. Se a distância for aquilo que se mede, haverá apenas artigo: “mediu a distância entre as mesas”. Isso não é uma variante da locução que indica afastamento.
7. Horário, tempo decorrido e intervalo
“Chegou à uma hora” situa a chegada no relógio; “chegou há uma hora” conta quanto tempo passou. “Chegará daqui a uma hora” mede a espera. A pronúncia próxima não torna as formas equivalentes:
| Forma | Função no exemplo | Exemplo |
|---|---|---|
| há | Tempo decorrido; forma do verbo haver. | A sessão terminou há duas horas. |
| a | Intervalo futuro, sem artigo. | A sessão começará daqui a duas horas. |
| à/às | Hora determinada introduzida por a. | A sessão começará às duas horas. |
Haver também pode indicar existência: “há duas propostas”. Não confunda essa forma verbal com preposição ou artigo.
Nas indicações de relógio, escreva à uma hora, à zero hora, à meia-noite, às oito horas; compare a combinação masculina ao meio-dia. Em a uma hora qualquer, uma é artigo indefinido, não a hora marcada pelo numeral uma. Na locução menos usual à uma, com sentido de “simultaneamente”, o acento também é consagrado.
Em a três quilômetros e a uma hora de viagem, mede-se distância física ou temporal, não um horário introduzido por artigo. Em chegou a trezentos reais, expressa-se um limite numérico. O numeral sozinho não provoca nem proíbe crase.
Outra preposição e os dois extremos do intervalo
Em desde as oito horas, após as oito horas, para as oito horas e entre as oito e as dez horas, a preposição já está expressa. O as é artigo; não se acrescenta outra preposição a. O mesmo raciocínio explica perante a autoridade, não perante à autoridade. A variação específica de até foi explicada na seção 3.
Para apresentar limites equivalentes, mantenha o mesmo tratamento do artigo:
Atendimento das oito às dez horas: artigo nos dois extremos.
Atendimento de oito a dez horas: sem artigo nos dois extremos.
Essa correspondência de estruturas é paralelismo. A forma sem artigo também pode indicar duração: “a atividade dura de oito a dez horas”. Para deixar claro que se trata de horários, das oito às dez horas é a redação mais segura e corresponde à preferência do Manual de Comunicação do Senado. Evite misturar de oito às dez ou das oito a dez na indicação paralela de horários. Em enumerações, porém, paralelismo não exige artigo em todo termo: “apoio à pesquisa, à formação e a projetos experimentais” mantém a ligação por a, mas apresenta o último nome sem artigo.
8. Reescrever é reconstruir a ligação
Parta de uma situação: “A comissão se referiu à proposta e se limitou à análise”. Há preposição e artigo nos dois complementos, mas mudanças diferentes retiram elementos diferentes.
Ao trocar o verbo: “A comissão mencionou a proposta”. Mencionar recebe diretamente o complemento; desaparece a preposição, permanece o artigo. A mudança de visitou a escola para dirigiu-se à escola faz o caminho inverso: introduz uma preposição, embora também altere a ação descrita.
Ao trocar o nome por verbo: “A comissão se limitou a analisar”. A preposição continua; o artigo desaparece porque agora há infinitivo. Não seria correto conservar à analisar.
Ao trocar o determinante: “referiu-se a uma proposta”, “referiu-se a esta proposta” e “referiu-se àquela proposta” exigem novas análises. Determinante é a palavra que acompanha o nome e delimita sua referência; artigo e demonstrativo são exemplos. A troca pode alterar tanto a escrita quanto a referência a algo definido, indefinido ou apontado no contexto.
Ao trocar o relativo: “a proposta a que se referiu” pode passar a “a proposta à qual se referiu”. Mantém-se a relação verbal, mas o relativo escolhido contém artigo. Não se conserva ou se apaga o acento pela aparência da frase original.
Antes de aceitar uma reescrita, faça duas perguntas separadas: a nova ligação está correta? O sentido original foi preservado? Às outras propostas e a outras propostas podem ser gramaticais, mas a determinação não é necessariamente a mesma. Há uma hora e à uma hora também podem ser corretos, sem informar o mesmo tempo.
A decisão deve voltar ao mecanismo: identifique a ligação, examine o artigo ou a forma pronominal e reconheça eventual locução ou termo subentendido. Regência verbal e nominal desenvolve as construções dos regentes; aqui, a ponte necessária é saber quais elementos se encontram no ponto em que o acento seria escrito.
Recorte e fontes
O recorte é o emprego do sinal indicativo de crase e sua relação com a reescrita, previstos no programa comum de Língua Portuguesa do TCE/MA de 2026. Fontes conferidas em 5 de setembro de 2026. Essa data é de consulta, não uma mudança da regra gramatical nem um novo corte do edital. Preferências de manuais institucionais foram diferenciadas de regras gerais; as fontes e seus pontos de apoio estão em Referências.
Referências
Referências
Fontes conferidas em 5 de setembro de 2026. Os manuais institucionais são utilizados nos pontos indicados abaixo; suas preferências de redação não são tratadas como proibições universais. Datas de atualização das páginas não equivalem a mudanças da regra gramatical ou do corte do edital.
- CENTRO BRASILEIRO DE PESQUISA EM AVALIAÇÃO E SELEÇÃO E DE PROMOÇÃO DE EVENTOS. Edital nº 1 — TCE/MA, de 6 de julho de 2026. Programa comum de Língua Portuguesa, página 43: item 5.7, emprego do sinal indicativo de crase; item 6, reescrita. Delimita o recorte dos dois cargos consumidores.
- SENADO FEDERAL. Manual de Comunicação. Verbete Crase: combinação de preposição com artigo ou demonstrativo, testes auxiliares, locuções, casos sem acento, facultatividade e enumerações. Verbete Artigo definido: artigo com nomes, possessivos e comparações com nome omitido; preferência editorial para horários.
- SENADO FEDERAL. Manual de Comunicação. Verbetes Hora, À distância/à distância de e À medida que/na medida em que. Apoiam, respectivamente, a distinção entre hora marcada e intervalo, a separação entre grafias admitidas e preferência institucional, e o contraste entre proporção e causa. A recomendação de escrever horas sem acento depois de até é apresentada no capítulo como preferência do manual.
- TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO. Escola de Magistrados — série de Língua Portuguesa. Crase II: demonstrativos, locuções e horas; Crase III: palavra feminina subentendida e acento em expressões de instrumento; Crase V: plural sem artigo, formas de tratamento e uma; Crase VI: empregos de casa e terra; Crase VII: construções facultativas com possessivos, nomes femininos e até. A distinção entre artigo e preposição é reconstruída nos exemplos do capítulo.
- MOURATO, Sara. Artigos definidos e pronomes possessivos. Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, 19 de janeiro de 2024. Consulta linguística sobre possessivo que acompanha um nome e possessivo que o substitui; apoia o contraste entre a sua proposta/à sua proposta e semelhante à minha.