7. Segurança da informação: confidencialidade, integridade e disponibilidade

Fundamentos de segurança da informação e distinção prática entre confidencialidade, integridade e disponibilidade.

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Segurança da informação: confidencialidade, integridade e disponibilidade

Imagine um relatório policial digital. Três falhas diferentes podem acontecer:

  1. uma pessoa não autorizada lê o relatório;
  2. alguém altera um dado do relatório sem autorização;
  3. o sistema fica indisponível justamente quando a equipe autorizada precisa consultar o arquivo.

As três situações são problemas de segurança, mas não são o mesmo problema. Elas correspondem, respectivamente, a confidencialidade, integridade e disponibilidade.

Esse é o mapa central do assunto:

quem pode conhecer? → confidencialidade | o conteúdo permanece confiável contra alteração indevida? → integridade | quem está autorizado consegue usar quando precisa? → disponibilidade

O NIST define segurança da informação como a proteção da informação e dos sistemas contra acesso, uso, divulgação, interrupção, modificação ou destruição não autorizados, de modo a preservar essas propriedades. No Brasil, a Política Nacional de Segurança da Informação também trabalha com disponibilidade, integridade, confidencialidade e autenticidade.

1. Segurança da informação não é sinônimo de “guardar segredo”

A primeira armadilha é reduzir segurança a sigilo.

Se ninguém de fora consegue ler um banco de dados, mas uma falha altera registros, há problema de integridade. Se os dados continuam corretos e secretos, mas o serviço fica inacessível para quem precisa usá-lo, há problema de disponibilidade.

Por isso, pense na informação durante todo o seu ciclo de uso: ela pode estar armazenada, sendo processada, transmitida, impressa ou conhecida por pessoas. Segurança da informação é mais ampla que segurança de um computador isolado. Pessoas, processos, instalações, equipamentos e sistemas podem participar da proteção.

2. Confidencialidade: quem pode conhecer a informação?

Confidencialidade é a preservação das restrições autorizadas de acesso e divulgação. Em linguagem de prova:

a informação só deve ser conhecida por quem está autorizado.

Violações típicas:

  • consulta indevida a um cadastro restrito;
  • envio de documento sigiloso ao destinatário errado;
  • exposição pública de uma pasta que deveria ser privada;
  • cópia não autorizada de dados por alguém que possuía acesso técnico ao ambiente, mas não autorização para aquele conteúdo.

Perceba a diferença entre ter capacidade técnica de acessar e estar autorizado a acessar.

2.1 Autenticação não é autorização

Dois conceitos aparecem juntos, mas respondem a perguntas diferentes:

  • autenticação: verifica a identidade alegada;
  • autorização: determina o que aquela identidade pode fazer.

Uma pessoa pode estar corretamente autenticada e, ainda assim, não ter autorização para abrir determinado arquivo. Essa distinção ajuda a entender por que login válido não significa acesso irrestrito.

2.2 Menor privilégio

O princípio do menor privilégio recomenda conceder apenas os acessos necessários à função desempenhada. Ele reduz a exposição caso uma conta seja usada indevidamente e evita que uma pessoa veja dados que não precisa conhecer.

Alguns controles podem apoiar a confidencialidade:

  • controle de acesso;
  • autenticação;
  • autorizações por papel ou função;
  • menor privilégio;
  • cifragem.

A cifragem será estudada em profundidade na unidade de criptografia. Aqui, basta a ponte: tornar o conteúdo ininteligível para quem não possui o segredo adequado é uma forma de proteger confidencialidade.

3. Integridade: a informação foi alterada de forma indevida?

Integridade protege contra modificação ou destruição não autorizada ou acidental. A pergunta operacional é:

o conteúdo que chegou até mim continua como deveria estar?

Violações típicas:

  • valor alterado em uma base sem autorização;
  • arquivo corrompido durante armazenamento ou transmissão;
  • exclusão indevida de registros;
  • substituição de um documento legítimo por versão adulterada.

3.1 Integridade não significa que o dado original era verdadeiro

Esta distinção é decisiva.

Situação hipotética: alguém digita por engano a data errada em um formulário. Depois disso, o registro não sofre nenhuma alteração. O dado pode continuar incorreto do ponto de vista factual, embora sua integridade — no sentido de não ter sido modificado indevidamente depois de registrado — não tenha sido necessariamente violada.

Logo:

integridade protege contra alteração indevida; não transforma automaticamente informação errada em informação verdadeira.

No item 120 da PCDF (2024), o Cebraspe empregou “veracidade da informação durante todo o ciclo de vida” ao justificar integridade. Para resolver a questão da banca, reconheça esse uso; ao analisar um caso concreto, distinga preservação contra alteração indevida de acerto factual do dado desde a origem. O item oficial não demonstra que um erro de digitação seja corrigido por um controle de integridade.

3.2 Controles que ajudam a preservar ou verificar integridade

Exemplos:

  • permissões que limitam quem pode editar;
  • trilhas de auditoria e registros de alteração;
  • versionamento;
  • mecanismos de validação;
  • hash criptográfico e assinaturas digitais, quando empregados de modo apropriado.

Os mecanismos criptográficos ficam na U030. Para U028, retenha apenas a função: alguns mecanismos ajudam a detectar alterações; outros também podem ajudar a vinculá-las a uma origem confiável.

4. Disponibilidade: o recurso está acessível quando precisa estar?

Disponibilidade significa acesso oportuno e confiável à informação ou ao serviço por entidades autorizadas.

A frase importante é “quando necessário”, e não “obrigatoriamente 24 horas por dia”.

Um sistema pode ter uma janela de operação prevista e ainda atender ao requisito de disponibilidade se estiver acessível nos períodos acordados. A prova pode explorar exatamente essa diferença.

Violações típicas:

  • pane de hardware sem alternativa operacional;
  • falha de energia sem continuidade suficiente;
  • serviço sobrecarregado até ficar inutilizável;
  • ataque de DoS ou DDoS;
  • exclusão ou corrupção que impeça o uso de dados essenciais.

Controles que apoiam disponibilidade podem incluir:

  • redundância de componentes, isto é, componentes alternativos capazes de assumir a função;
  • monitoramento e resposta a falhas;
  • capacidade adequada;
  • continuidade e recuperação;
  • backup recuperável;
  • proteção contra sobrecarga e ataques de negação de serviço.

A unidade de malware tratará das pragas e ataques específicos; a unidade própria de cópias/recuperação aprofundará backup quando esse mecanismo aparecer no programa. Aqui, o ponto é apenas a relação entre falha de acesso legítimo e disponibilidade.

5. Uma ocorrência pode atingir mais de uma propriedade

Classificar a propriedade principal ajuda em prova, mas incidentes reais podem produzir vários efeitos.

SituaçãoEfeito mais diretoOutros efeitos possíveis
documento restrito é publicado na Internetconfidencialidadeintegridade, se também houver alteração
invasor modifica cadastrointegridadeconfidencialidade, se precisou ler dados para agir
servidor fica fora do ardisponibilidadeintegridade, se houver perda/corrupção de dados
ransomware cifra arquivos sem autorizaçãodisponibilidade e integridadeconfidencialidade, se também houver exfiltração

Não memorize “um ataque = um princípio”. Pergunte o que aconteceu com a informação.

6. Controle não é propriedade

Outra confusão comum é misturar objetivo com mecanismo.

  • confidencialidade, integridade e disponibilidade são propriedades que se deseja preservar;
  • controle de acesso, redundância, cifragem, auditoria e backup são exemplos de mecanismos ou práticas que podem ajudar a preservá-las.

Um mesmo controle pode contribuir para mais de uma propriedade, e nenhuma propriedade depende de um único mecanismo obrigatório.

Exemplo: uma solução de backup pode ajudar a recuperar informação e, assim, sustentar disponibilidade; se houver versões confiáveis, também pode ajudar na recuperação de dados alterados. Isso não faz do backup uma “definição” de disponibilidade ou integridade.

7. Autenticidade é relacionada, mas não substitui a tríade

No programa desta unidade, o núcleo é a tríade confidencialidade–integridade–disponibilidade. Em referências governamentais brasileiras, aparece também a autenticidade, propriedade ligada à confiança de que a informação, entidade ou origem declarada é aquilo que afirma ser.

Não troque os conceitos:

  • segredo contra leitura indevida → confidencialidade;
  • proteção contra alteração indevida → integridade;
  • acesso oportuno pelo autorizado → disponibilidade;
  • confiança na origem ou identidade declarada → autenticidade.

A U030 aprofunda certificados e assinatura digital, que ajudam a trabalhar autenticidade e integridade em contextos específicos.

8. Segurança da informação é mais ampla que tecnologia

Uma folha impressa abandonada sobre uma mesa pode causar violação de confidencialidade sem exploração de software. Uma pessoa pode apagar acidentalmente registros e afetar integridade ou disponibilidade. Uma sala sem controle físico pode expor equipamentos e mídias.

Por isso, medidas de segurança podem ser:

  • administrativas: políticas, responsabilidades, procedimentos;
  • físicas: controle de acesso a ambientes e equipamentos;
  • técnicas: autenticação, permissões, cifragem, registros, redundância.

A classificação exata dos controles pode variar conforme o referencial. Para este item, o importante é reconhecer que a propriedade protegida não depende de o controle ser “digital”.

9. Método de prova: encontre o verbo da violação

Ao ler uma alternativa, procure primeiro o efeito:

  1. leu, divulgou, expôs ou copiou sem autorização? → confidencialidade;
  2. alterou, apagou, corrompeu ou substituiu indevidamente? → integridade;
  3. impediu, atrasou ou interrompeu o acesso legítimo? → disponibilidade;
  4. a questão pergunta quem é a entidade ou de onde veio a informação? → autenticidade, conceito relacionado, mas distinto da tríade literal.

Depois teste as pegadinhas:

  • “disponibilidade significa 24 × 7 em qualquer sistema” → generalização indevida;
  • “integridade garante que todo dado registrado é verdadeiro” → falso;
  • “usuário autenticado pode acessar qualquer informação” → falso;
  • “criptografia sempre garante disponibilidade” → falso;
  • “segurança da informação só existe em sistemas eletrônicos” → falso.

O mapa final é simples:

confidencialidade controla conhecimento; integridade controla alteração; disponibilidade controla acesso legítimo no tempo necessário.

Referências

Referências

Programa e corte

Fundamentos técnicos e institucionais

Questões anteriores usadas como base de adaptação

  • CEBRASPE. Polícia Civil do Distrito Federal — área administrativa, Edital 2024. Caderno com justificativas, itens 118–120, segurança da informação: disponibilidade, confidencialidade, integridade e autenticidade. https://cdn.cebraspe.org.br/concursos/PC_DF_24_ADM/arquivos/021_PCDF_006_01.PDF. As questões deste material foram apenas adaptadas de forma não literal; o texto original não foi reproduzido. Nota de leitura: no item 120, a banca emprega “veracidade da informação” e afirma permanência sem alterações no ciclo de vida; a adaptação local pergunta por preservação contra modificação indevida. Isso não torna integridade garantia de acerto factual do dado originalmente registrado (distinção exposta em C/H). Julgamentos oficiais do próprio caderno: 118 Errado; 119 Certo; 120 Certo.
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