9. Malha viária, portos, aeroportos e cultura maranhense

Malha rodoviária e ferroviária do Maranhão, portos, aeroportos e referências centrais da cultura maranhense, com foco em distinções de prova e no corte do edital.

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Infraestrutura e cultura: primeiro identifique o tipo de referência

Os itens 13 a 15 do edital juntam dois campos diferentes. Malha viária, portos e aeroportos descrevem infraestrutura física de circulação; cultura maranhense descreve práticas, bens, repertórios e formas de reconhecimento cultural.

Uma questão costuma ficar mais simples quando você pergunta primeiro:

  1. estou diante de uma via, corredor ou instalação de transporte?;
  2. ou de uma manifestação, bem cultural, obra, tradição ou reconhecimento patrimonial?

Essa separação evita trocas frequentes: ferrovia não é porto; terminal privado não é o Porto do Itaqui; código de aeroporto não é nome de operador; tombamento não é registro; e uma manifestação cultural não se reduz a um município, personagem ou data.


Parte I — Malha viária, portos e aeroportos

1. Malha viária: rede, situação e conexão

A malha viária deve ser lida como uma rede de eixos e conexões. No plano rodoviário federal, o SNV organiza o cadastro e o DNIT é referência para os trechos sob sua esfera de atuação.

Três conceitos precisam ficar separados:

  • jurisdição: indica a qual ente a via pertence juridicamente;
  • administração: indica quem responde pelo trecho no recorte considerado;
  • concessão: transfere contratualmente exploração e obrigações, sem mudar por si só a jurisdição.

Também não confunda situação física da rodovia:

SituaçãoO que permite concluir
planejadaintegra o planejamento/cadastro; não prova via aberta
implantadafoi fisicamente aberta; não prova pavimentação
pavimentadapossui pavimento cadastrado; não prova duplicação ou bom estado
duplicadapossui pistas separadas conforme a classificação adotada

Extensão do eixo é comprimento linear. Não equivale automaticamente a quilômetros-pista. Se dois números rodoviários compartilham o mesmo segmento, há trecho coincidente; somá-lo duas vezes produz dupla contagem física.

2. Sete rodovias federais que estruturam o Maranhão

Em janeiro de 2026, o DNIT relacionou sete rodovias federais no Maranhão. Associe o número ao corredor, não a uma lista isolada:

EixoAssociação territorial útil
BR-010Açailândia → Imperatriz → Estreito
BR-135ilha de São Luís → continente → interior
BR-222Chapadinha → Santa Inês → Açailândia
BR-226Timon → Presidente Dutra → Grajaú → Porto Franco
BR-230Transamazônica no sul maranhense
BR-316Santa Inês → Bacabal → Caxias → Teresina
BR-402Bacabeira → região de Barreirinhas e Lençóis Maranhenses

A lista representa eixos federais, não a totalidade da malha estadual e municipal. O mapa de manutenção do DNIT de fevereiro de 2026 registrava 3.512,2 quilômetros como total de sua malha no Maranhão; esse número não deve ser convertido em “toda a malha rodoviária do estado”.

3. Ferrovias: conexão não apaga identidade

Três sistemas ajudam a organizar o mapa logístico maranhense:

SistemaIdentificaçãoAssociação principal
EFCEF-315; ValeCarajás → Maranhão → Terminal Marítimo de Ponta da Madeira
FNSEF-151; subconcessão ligada à VLIconecta-se à EFC em Açailândia
FTLEF-116inclui a ligação São Luís–Teresina

A ANTT registra 996,7 quilômetros para a concessão da EFC, abrangendo Pará e Maranhão; 744,5 quilômetros para a FNS, abrangendo Maranhão e Tocantins; e 4.295,1 quilômetros para a FTL em sete estados.

Pegadinha: extensão de concessão multiestadual não é extensão exclusivamente maranhense.

A conexão essencial é FNS → Açailândia → EFC → Ponta da Madeira. Isso descreve integração de infraestruturas, não uma única ferrovia.

4. Portos: proximidade geográfica não significa identidade jurídica

Na zona portuária de São Luís, três nomes aparecem com frequência:

InstalaçãoNatureza e associação
Porto do Itaquiporto organizado público, administrado pela EMAP por delegação federal; multipropósito
Terminal Marítimo de Ponta da MadeiraTUP da Vale, integrado ao corredor da EFC
Terminal Portuário da AlumarTUP ligado à cadeia de bauxita, alumina e alumínio

A Lei nº 12.815/2013 ajuda a distinguir as categorias:

  • porto organizado é bem público delimitado e administrado por autoridade portuária;
  • arrendamento explora área pública situada dentro do porto organizado;
  • TUP é instalação explorada por autorização fora da área do porto organizado.

Assim, Ponta da Madeira e Alumar não se tornam “partes do Itaqui” apenas por integrarem o mesmo espaço logístico de São Luís. O termo complexo portuário é um agregado geográfico/logístico, não uma quarta instalação.

Outra regra de prova é separar origem da carga de local de embarque. Uma mercadoria produzida fora do Maranhão pode atravessar o estado e ser embarcada em São Luís; isso demonstra participação maranhense no corredor logístico, não origem produtiva local.

5. Aeroportos: instalação, código e operador

A ANAC define aeródromo como área destinada a pouso, decolagem e movimentação de aeronaves. Aeroporto é aeródromo público dotado de instalações e facilidades de apoio às operações, passageiros ou cargas.

Os dois aeroportos de maior referência no estado são:

CidadeAeroportoIATAICAOCadastro ANAC
São LuísMarechal Cunha MachadoSLZSBSLMA0001
ImperatrizPrefeito Renato MoreiraIMPSBIZMA0002

Não misture famílias de identificadores: SLZ/IMP são códigos IATA; SBSL/SBIZ são códigos ICAO; MA0001/MA0002 são identificadores cadastrais da ANAC.

Antes do corte do edital, documentos da ANAC identificavam a Concessionária do Bloco Central S.A. como responsável pela exploração dos aeroportos de São Luís e Imperatriz. Mudanças empresariais posteriores a 13 de julho de 2026 não são usadas aqui como estado factual do recorte da prova.


Parte II — Cultura maranhense

6. Cultura viva: natureza da prática antes do nome

A cultura maranhense reúne matrizes indígenas, africanas, afrodescendentes e europeias em processos de conflito, resistência, negociação e recriação. Por isso, tradição não significa cópia imóvel do passado.

Para reconhecer uma referência cultural, pergunte:

  1. é celebração, dança, religião, música, literatura ou patrimônio material?;
  2. quais são seus gestos, instrumentos, personagens ou repertórios?;
  3. a que territórios e comunidades se associa, sem transformar associação em exclusividade?;
  4. que tipo de reconhecimento recebeu?

7. Bumba Meu Boi: ciclo e sotaques

O Complexo Cultural do Bumba Meu Boi do Maranhão articula festa, música, dança, teatro popular, religiosidade, artesanato e trabalho comunitário.

Um mapa útil do ciclo é:

ensaios → batismo → brincadas → morte do boi

O calendário varia entre grupos. No enredo difundido, Mãe Catirina deseja a língua do boi e Pai Francisco ou Chico provoca a crise ao matar o animal; versões do auto podem alterar ou suprimir partes dessa narrativa.

No boi, sotaque é modo de brincar — musicalidade, instrumentos, coreografia e indumentária —, não pronúncia. A classificação didática mais conhecida reúne:

SotaqueMarca recorrente
Matraca ou da Ilhamatracas, pandeirões e tambor-onça
Zabumbaforte percussão; associação com Guimarães e litoral ocidental
Baixada ou Pindaréandamento mais cadenciado e presença marcante do Cazumbá
Costa de Mãopandeiros tocados com as costas das mãos; associação com Cururupu
Orquestrasopros e cordas combinados à percussão

Os cinco sotaques organizam o estudo, mas não esgotam variações locais.

8. Crioula, Mina e Terecô: três naturezas distintas

O nome “tambor” não torna as práticas equivalentes.

  • Tambor de Crioula: forma de expressão afro-brasileira dançada em roda; reúne coreiras, canto, três tambores tradicionais e punga.
  • Tambor de Mina: religião afro-brasileira com casas e tradições próprias; podem aparecer voduns, orixás, encantados e caboclos.
  • Terecô: tradição religiosa especialmente ligada a Codó e aos Cocais, com forte presença da encantaria; dialoga historicamente com outras tradições, mas não é simples sinônimo de Tambor de Mina.

A Casa das Minas é referência da tradição jeje; a Casa de Nagô é outra casa matriz, não uma filial.

9. Divino, Cacuriá, carnaval e reggae

A Festa do Divino Espírito Santo tem em Alcântara uma referência marcante, mas não exclusiva. Corte simbólica, bandeira, mastro, promessas e as caixeiras, responsáveis por repertórios rituais nas caixas, ajudam a reconhecê-la.

O Cacuriá consolidou-se como dança autônoma a partir de momentos recreativos historicamente associados às festas do Divino. Dona Teté teve papel decisivo em sua popularização; isso não transforma a prática coletiva em invenção individual.

No carnaval de São Luís, o fofão é personagem mascarado de roupa volumosa e colorida. Não o confunda com o Cazumbá, fortemente associado ao Bumba Meu Boi da Baixada.

O reggae ganhou circuito local forte em São Luís, com radiolas, clubes, selecionadores e dança em pares. A Lei nº 14.668/2023 concedeu ao município o título de Capital Nacional do Reggae. É título legal brasileiro; não equivale a registro do Iphan nem a inscrição da UNESCO.

10. Patrimônio: tombamento, registro e inscrição não são sinônimos

Quatro mecanismos devem permanecer separados:

  • tombamento: proteção de patrimônio material;
  • registro: reconhecimento de bem cultural imaterial e base para ações de salvaguarda;
  • inscrição pela UNESCO: reconhecimento internacional próprio;
  • título legal: decorre de lei e não se converte automaticamente em tombamento ou registro.

Marcos de alto rendimento:

ReferênciaMarco
Alcântaraconjunto arquitetônico e urbanístico tombado pelo Iphan em 1948
Centro Histórico de São Luístombamento federal em 1974; inscrição na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO em 1997
Tambor de Crioularegistro pelo Iphan em 2007; revalidação em 2021
Bumba Meu Boiregistro pelo Iphan em 2011; inscrição pela UNESCO em 2019; revalidação nacional em 2025

A inscrição do Centro Histórico de São Luís em 1997 utiliza os critérios (iii), (iv) e (v) e reconhece, entre outros aspectos, o tecido urbano e a adaptação da cidade colonial portuguesa às condições equatoriais. Alcântara possui tombamento federal próprio, mas não é um sítio autônomo inscrito na Lista do Patrimônio Mundial.

11. Literatura, música, culinária e artesanato

Associe alguns nomes a contribuições, não a uma lista sem contexto:

  • Gonçalves Dias: Romantismo e indianismo; “Canção do Exílio”, “I-Juca-Pirama” e Os Timbiras;
  • Maria Firmina dos Reis: Úrsula (1859), autoria feminina negra e perspectiva antiescravista;
  • Sousândrade: O Guesa e experimentação de linguagem;
  • Aluísio Azevedo: Naturalismo; O Mulato e O Cortiço;
  • Artur Azevedo: teatro e comédia de costumes;
  • Josué Montello: Os Tambores de São Luís;
  • Ferreira Gullar: poesia, crítica e participação no neoconcretismo;
  • João do Vale: “Carcará”; Alcione: samba; Tribo de Jah: reggae.

Na culinária e nos saberes técnicos, reconheça:

  • arroz de cuxá: associado a vinagreira, camarão seco e gergelim, com variações;
  • juçara: denominação local ligada ao fruto e à preparação de açaí;
  • tiquira: destilado de mandioca, não de cana-de-açúcar;
  • doce de espécie: forte associação com Alcântara;
  • artesanato com fibras, cerâmica, rendas, bordados, máscaras e indumentária do boi.

A artista maranhense Dileusa Dinis Rodrigues (Dila) é referência de pintura voltada ao cotidiano e à vida nordestina, incluindo festas e paisagens urbanas e rurais — associação já cobrada pelo Cebraspe.


12. Método de prova

Em infraestrutura, siga tipo → localização/conexão → administração/operação → métrica → período.

Em cultura, siga natureza da prática → marca de reconhecimento → território associado → tipo de reconhecimento patrimonial.

Cinco trocas que você deve bloquear:

  1. BR federal ≠ administração direta obrigatória pelo DNIT;
  2. conexão ferroviária ≠ fusão de ferrovias;
  3. Porto do Itaqui ≠ Ponta da Madeira ≠ Terminal da Alumar;
  4. Tambor de Crioula ≠ Tambor de Mina ≠ Terecô;
  5. tombamento ≠ registro ≠ inscrição pela UNESCO ≠ título legal.

O recorte desta unidade é o edital da PC-MA publicado em 13 de julho de 2026. Fatos empresariais ou conjunturais posteriores são úteis para pesquisa histórica, mas não foram incorporados como estado factual do corte da prova.

Referências

Referências

Corte do edital: 13 de julho de 2026. Fontes consultadas ou revalidadas depois dessa data servem para confirmar documentos e fatos já pertinentes ao recorte; mudanças conjunturais posteriores não foram incorporadas como estado factual da prova.

Edital e recorte

Malha rodoviária e ferroviária

Portos e aeroportos

Cultura maranhense

Questões anteriores

Proveniência do reaproveitamento

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As duas origens canônicas permanecem compartilhadas pelos consumidores do TCE-MA. A unidade da PC-MA é física e local porque combina duas origens em um recorte único dos itens 13–15 e exclui alterações conjunturais posteriores ao corte de 13 de julho de 2026.

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