Emprego de tempos e modos verbais

Valores temporais, aspectuais e modais dos verbos, correlação verbal, locuções e reescritas cobradas em concursos.

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Emprego de tempos e modos verbais

“A comissão analisou o recurso” e “A comissão analisava o recurso” falam do passado. Por que não dizem a mesma coisa? A primeira apresenta a análise como uma ocorrência delimitada; a segunda nos coloca dentro de seu desenvolvimento ou de um hábito. Trocar o verbo pode manter a gramática e mudar a informação.

Os exemplos deste capítulo são hipotéticos. Acompanhe três perguntas: quando a situação é localizada, como seu desenvolvimento é apresentado e como o falante a considera — fato, possibilidade, desejo ou ordem.

1. Forma verbal, tempo e ponto de referência

Em “A comissão se reúne amanhã”, reúne está no presente, mas a reunião é futura. O tempo verbal classifica a forma; a referência temporal resulta da forma e do contexto, incluindo palavras como amanhã e .

Nem todo verbo se orienta diretamente pelo momento em que alguém fala:

Quando a comissão chegou, o servidor já encerrara a conferência.

O encerramento precedeu a chegada; ambos precedem o relato. A chegada é o ponto de referência para encerrara: passado anterior a outro passado, não simplesmente “muito antigo”.

Já em “O servidor disse que voltaria”, o retorno é posterior ao ato de dizer. Pode ter ocorrido antes de quem narra contar a história. Futuro em relação a um passado não significa necessariamente futuro em relação a agora.

2. Como o passado organiza uma narrativa

Perfeito e imperfeito: ocorrência delimitada ou visão interna

Compare:

Ontem, a comissão analisou o recurso durante duas horas.
A comissão analisava o recurso quando o sistema falhou.

Analisou está no pretérito perfeito do indicativo. “Pretérito” significa passado; o indicativo apresenta o conteúdo como afirmado ou assumido. O perfeito mostra a ocorrência como um todo delimitado, ainda que dure horas: não significa “instantâneo”. Tampouco analisou garante que todas as questões do recurso foram resolvidas.

Analisava, pretérito imperfeito do indicativo, mostra a situação por dentro, sem focalizar seu término. Não informa se a análise foi concluída depois: imperfeito não significa “ação que nunca terminou”.

Essa maneira de apresentar o desenvolvimento é o aspecto verbal: visão global e delimitada, chamada perfectiva, ou visão interna, chamada imperfectiva. Tempo localiza; aspecto mostra como se olha para a situação. O contexto acrescenta diferenças importantes:

ConstruçãoO que o imperfeito destaca
A equipe analisava o recurso quando houve a falha.Processo em curso naquele ponto do passado
A equipe analisava recursos toda sexta-feira.Hábito, isto é, repetição regular
A sala era pequena e estava silenciosa.Descrição do cenário
Enquanto a equipe trabalhava, o servidor conferia os dados.Simultaneidade entre situações

Na sequência “O servidor abriu, leu e encaminhou o processo”, os perfeitos fazem a narrativa avançar. Os imperfeitos costumam construir o cenário em que esses acontecimentos se desenrolam.

Mais-que-perfeito: recuar dentro do passado

Na cena da chegada da comissão, encerrara é o pretérito mais-que-perfeito simples do indicativo. Tinha encerrado e havia encerrado são formas compostas que preservam aquela anterioridade. A forma simples é mais característica da escrita formal ou literária: equivalência temporal não elimina diferença de estilo.

Imperfeito sem passado efetivo

“Eu queria uma informação” pode ser um pedido atual. O imperfeito suaviza a abordagem: é o imperfeito de cortesia ou polidez, sem necessariamente indicar um desejo que acabou.

Em “Se me liberassem, eu viajava ainda hoje”, o imperfeito substitui viajaria na consequência de uma hipótese. Esse uso coloquial não deve ser confundido com hábito passado; para uma reescrita formal neutra, prefira “Se me liberassem, eu viajaria”.

3. Presente e futuros: o nome não esgota o sentido

Presente do indicativo

“A comissão trabalha agora” destaca o momento atual; “A comissão trabalha às sextas”, o hábito. Já “A pressa prejudica a análise” apresenta uma generalização, não um acontecimento isolado: é o presente atemporal ou gnômico.

Em “Naquela manhã, o servidor abre o sistema e encontra a falha”, o presente histórico aproxima a cena passada do leitor. Abriu e encontrou podem conservar a cronologia, mas perdem esse efeito de atualização.

O presente também apresenta o futuro como programado (se reúne amanhã) ou orienta ações (primeiro você abre; depois seleciona). Nesse último caso, a instrução não transforma a forma em imperativo.

Futuro do presente

“O resultado sairá amanhã” situa a divulgação depois da fala. Mas o futuro também pode indicar uma avaliação:

O servidor terá cerca de quarenta anos.
Você entregará o relatório até amanhã.
Ele será competente, mas não demonstrou isso nesta análise.

Na primeira frase, terá exprime uma estimativa: aproximadamente “deve ter”. Na segunda, conforme a situação, entregará pode ser previsão ou ordem. Na terceira, admite-se uma qualidade para contrapô-la a uma ressalva: é um valor concessivo, de “admitamos que seja”.

Assim, o futuro pode exprimir posterioridade, previsão, inferência — conclusão a partir de indícios — ou ordem, também chamada injunção. Não garante certeza absoluta.

Futuro do pretérito

A partir de um ponto passado, “Disse que voltaria” projeta o retorno para depois. Fora dessa relação temporal, o mesmo tempo serve à hipótese (“Com mais tempo, concluiria a análise”), à cortesia (“Poderia enviar o arquivo?”) ou à informação não confirmada (“Segundo a notícia, o contrato teria sido alterado”).

A atribuição à notícia distancia o falante da confirmação do fato: é um valor evidencial, relacionado à fonte da informação. Nem toda forma em -ria, porém, exprime dúvida.

Na nomenclatura escolar brasileira, o nome é futuro do pretérito do indicativo. Condicional pode designar um valor ou a denominação usada em outra tradição gramatical; não é um quarto modo nessa nomenclatura.

4. Modos: afirmar, subordinar uma possibilidade, dirigir uma ação

O modo verbal é uma categoria das formas do verbo: indicativo, subjuntivo ou imperativo. A modalidade é a atitude diante do conteúdo, como certeza, possibilidade, desejo ou obrigação. Pode aparecer em diferentes modos, em poder, dever ou talvez.

Indicativo e subjuntivo no contexto

Compare “Sei que a comissão publicou o resultado” e “Espero que a comissão publique o resultado”. O indicativo apresenta a publicação como fato conhecido; o subjuntivo a enquadra como objeto de expectativa. Esse modo também ocorre na dependência de desejo, avaliação, condição ou outras relações.

Indicativo não certifica a verdade; subjuntivo não significa necessariamente falsidade ou dúvida. Em “Embora o servidor esteja presente, não participa da reunião”, sua presença pode ser um fato aceito. O subjuntivo acompanha a concessão: a presença não produz a consequência esperada.

Uma oração organiza-se em torno de verbo ou locução verbal. Em “Espero / que a comissão publique”, a segunda oração completa a primeira: é subordinada a ela. O modo depende da relação e do sentido, não da simples presença de que.

Relação já identificadaConstrução típica
Conhecimento ou constataçãoSei que há falhas; o relatório mostra que existem falhas.
Desejo, expectativa ou necessidadeDesejo que venha; espero que publique; é necessário que decida.
Dúvida ou negação de crençaDuvido de que venha; não acredito que existam falhas.
Pedido ou prevençãoSolicito que relatem; evito que o erro se repita.
Finalidade: resultado que se pretende alcançarOrganize os dados para que a comissão compreenda.
Concessão: ressalva que não impede a conclusãoEmbora pareça simples, exige atenção; ainda que discorde, respeite.
CondiçãoCaso haja erro, avise; aceitarei, contanto que esteja completo.

As tendências não autorizam trocar formas mecanicamente. Desde que, por exemplo, pode introduzir condição (“Aceito, desde que você concorde”) ou marcar o início de um período (“Trabalho aqui desde que terminei o curso”). A relação muda e o modo pode mudar com ela.

O que se procura já é conhecido ou é apenas desejado?

Procuro o servidor que conhece o sistema.
Procuro um servidor que conheça o sistema.

A parte iniciada por que caracteriza servidor: é uma oração relativa. A primeira apresenta alguém identificável com aquele conhecimento; a segunda estabelece uma propriedade desejada, sem assegurar que a pessoa esteja identificada.

Não é uma regra automática de artigo definido ou indefinido. “Conheço um servidor que domina o sistema” usa um e indicativo porque afirma uma propriedade de alguém cuja existência é assumida.

5. Antes das locuções: o papel de cada verbo

Em “A equipe estava analisando”, o verbo principal analisando fornece a atividade; o auxiliar estava a situa no passado e a apresenta em curso. Juntos, formam uma locução verbal: um ou mais auxiliares acompanham o principal.

O principal aparece em uma forma nominal: infinitivo, que nomeia o processo (analisar, ser); gerúndio, em -ndo (analisando, sendo); ou particípio (analisado, sido, feito). Essas formas não trazem toda a marcação temporal e modal de analisávamos: dependem do auxiliar e do contexto.

Tempos compostos: ter ou haver + particípio

Tinha analisado é um tempo composto; analisara, uma forma simples. Mas nem todo composto equivale ao simples:

A equipe revisou os critérios ontem.
A equipe tem revisado os critérios nas últimas semanas.

Tem revisado é pretérito perfeito composto do indicativo, embora tem esteja no presente. No português brasileiro, normalmente exprime repetição ou duração em um intervalo que alcança o presente. Não equivale automaticamente a revisou, nem exige atividade ininterrupta.

Nas demais construções, a relação com um ponto de referência ajuda a entender o composto:

FormaRelação ou leitura típica
Tinha/havia analisado quando a comissão chegou.Mais-que-perfeito do indicativo: anterioridade a um passado
Até amanhã, terá analisado os dados.Futuro do presente composto: conclusão anterior a uma referência futura
Não responde; terá esquecido a senha.O mesmo futuro composto, agora como inferência sobre o passado
Com mais tempo, teria analisado os dados.Futuro do pretérito composto: resultado hipotético
Espero que tenha analisado os dados.Pretérito perfeito composto do subjuntivo: situação anterior considerada na expectativa atual
Se tivesse analisado os dados, teria notado o erro.Mais-que-perfeito do subjuntivo: condição anterior não realizada, nessa leitura
Quando tiver analisado os dados, responda.Futuro composto do subjuntivo: conclusão eventual anterior à resposta

Nos tempos compostos, haver pode substituir ter, mas sua frequência varia; no perfeito composto do indicativo, o uso de haver é raro. Não estenda a equivalência automaticamente a qualquer locução com esses verbos.

6. Tempos simples do subjuntivo e reconhecimento das formas

O presente do subjuntivo pode referir-se a agora (espero que esteja em casa) ou a depois (espero que venha amanhã). O pretérito imperfeito do subjuntivo acompanha uma referência passada (era necessário que viesse) ou uma hipótese presente ou futura (se viesse amanhã, conversaríamos).

O futuro do subjuntivo aparece em situações futuras eventuais: “Quando ele vier, conversaremos”; “Se houver dúvida, consulte”; “Quem apresentar recurso receberá resposta”. Há, respectivamente, localização temporal, condição e identificação de quem vier a praticar a ação.

Entretanto, nem toda referência futura exige futuro do subjuntivo: “Espero que venha amanhã” e “Caso venha amanhã, avise” empregam o presente. São inadequadas, nessas construções, as trocas isoladas por vier.

Também diferencie “Quando ele vier, avise” de “Quando ele virá?”. A primeira contém uma oração temporal; a segunda pergunta em que momento ele virá. Na pergunta indireta “Não sei quando ele virá”, o indicativo também é possível.

Futuro do subjuntivo não é infinitivo

Em verbos regulares, as formas podem coincidir: quando analisar e para analisar. Nos irregulares, a diferença fica visível: quando fizer, mas para fazer; se vir o erro, mas para ver o erro.

Para obter a forma de eu/ele do futuro do subjuntivo, retire -am do perfeito de eles: fizeram → fizer. Acrescente as terminações de pessoa: fizer, fizeres, fizer, fizermos, fizerdes, fizerem.

InfinitivoPerfeito do indicativo: elesFuturo do subjuntivo: se eu/ele
ter / manter / obtertiveram / mantiveram / obtiveramtiver / mantiver / obtiver
fazer / satisfazerfizeram / satisfizeramfizer / satisfizer
dizer / trazerdisseram / trouxeramdisser / trouxer
pôr / proporpuseram / propuserampuser / propuser
vir / intervirvieram / intervieramvier / intervier
ver / preverviram / previramvir / previr
reaver / caberreouveram / couberamreouver / couber
requererrequereramrequerer

Ver → vir; vir → vier. Requerer não segue querer nessa formação: é se requerer, não se requiser. O reconhecimento pelo contexto continua necessário mesmo quando infinitivo e futuro têm a mesma grafia.

7. Correlação verbal: combinar perspectivas, não decorar pares

A correlação verbal é a articulação entre tempos e modos para construir uma relação coerente. Nas condicionais, separe a condição, chamada prótase, da consequência, chamada apódose.

“Se a equipe revisar, encontrará o erro” deixa aberta uma condição futura. “Se a equipe revisasse, encontraria o erro” apresenta a situação com maior distância hipotética; não prova, por si só, que revisar seja impossível. Já “Se a equipe tivesse revisado, teria encontrado o erro” pode reconstruir um passado não realizado. Nessa leitura, a condição é contrafactual: contrária ao que se assume ter acontecido.

RelaçãoExemplo e efeito
RegularidadeSe revisa, encontra erros: relação habitual ou geral.
Condição futura abertaSe revisar, encontrará o erro: eventual realização futura.
Orientação condicionadaSe encontrar erro, avise: a consequência é uma instrução.
Hipótese mais distanteSe revisasse, encontraria o erro: realização considerada hipoteticamente.
Passado não realizadoSe tivesse revisado, teria encontrado o erro.
Passado com consequência atualSe tivesse revisado, estaria tranquilo hoje.

A correlação mista é coerente: uma condição passada pode ter consequência atual. Também vale “Se você vier amanhã, conversamos”: o presente assume valor futuro. Os pares não são exclusivos.

Por que “se teria” pode estar correto?

“Não sei se teria condições de participar” contém uma pergunta incorporada a outra frase: “Teria condições?”. É uma interrogativa indireta, não uma condição.

Para formular a condição no padrão formal, use “Se tivesse condições, participaria”, não “Se teria condições, participaria”. O julgamento depende da função de se, e não da mera sequência de palavras.

8. Imperativo: intenção de orientar e pessoa a quem se fala

O imperativo dirige uma ação ao interlocutor: ordena, pede, aconselha, convida, adverte ou proíbe. “Leia com atenção” orienta diretamente; “Espero que você leia” contém subjuntivo, embora também expresse uma expectativa sobre a conduta do leitor.

Na norma-padrão, o imperativo negativo usa as formas do presente do subjuntivo. No afirmativo, tu e vós geralmente correspondem ao presente do indicativo sem o s: falas → fala; falais → falai. As demais pessoas usam formas correspondentes ao presente do subjuntivo. A exceção importante é ser: sê tu, sede vós.

PessoaAfirmativoNegativo
tufalanão fales
vocêfalenão fale
nósfalemosnão falemos
vósfalainão faleis
vocêsfalemnão falem

Não há imperativo para eu. Você designa o interlocutor, mas recebe flexão de terceira pessoa. A variação da fala brasileira não elimina essa distinção no padrão formal.

Intenção de ordem não equivale sempre a modo imperativo. “Não falarás durante a reunião” pode ser uma proibição no futuro do indicativo. Inversamente, “Você participa?” dirige-se ao interlocutor sem constituir imperativo. Até formas idênticas exigem contexto: eu ouvi é passado; ouvi, vós pode ser uma ordem.

9. Outras locuções: desenvolvimento, possibilidade e estado

Mudar o auxiliar muda a perspectiva. “A equipe estava analisando” põe a análise em curso num ponto passado; “esteve analisando durante a manhã” delimita o intervalo desse processo. O valor progressivo é a apresentação em curso, não uma garantia de que a ação nunca acabará.

Passou a analisar” destaca o início; “continua analisando”, a manutenção; “deixou de analisar”, conforme o contexto, a interrupção ou a não realização. Entendido esse percurso, os nomes técnicos resumem as diferenças:

ConstruçãoValor contextual
passou a analisarIncoativo
continua analisando / seguiu analisandoContinuativo
deixou de analisarTerminativo, ou não ocorrência: deixou de analisar aquele recurso
voltou a analisarRetomada de uma atividade
vem analisandoDesenvolvimento ou repetição até o presente
anda analisando vários casosDuração ou repetição distribuída; esta última é um valor iterativo
acabou de analisarPassado recente em relação ao ponto considerado
vai analisarFuturo, frequentemente planejado; não precisa ser próximo
há de analisarFuturo, expectativa ou compromisso, conforme o contexto

Poder e dever acrescentam avaliações. “Pela regra interna, deve comparecer” indica obrigação; “A luz está acesa; deve estar lá” indica probabilidade. “Pode acessar, pois recebeu autorização” exprime permissão; “Com treinamento, pode operar o sistema”, capacidade; “A falha pode voltar”, possibilidade. A interpretação vem da situação descrita, não de uma tradução fixa do auxiliar.

Aprovação como acontecimento ou como estado

Compare “A comissão aprovou o relatório” com “O relatório foi aprovado pela comissão”. A segunda é voz passiva: o sujeito, o relatório, recebe a ação. Ela apresenta o acontecimento da aprovação. “O relatório está aprovado” destaca o estado decorrente, um valor resultativo.

Não trate toda sequência estar + particípio como tempo composto ou como equivalente a uma passiva que narra um acontecimento. Já “O relatório tem sido aprovado sem ressalvas nas revisões mensais” combina tempo composto e voz passiva: tem + sido, mais o particípio aprovado, com repetição até o presente nesse contexto.

O aprofundamento de formas nominais, vozes e flexão pertence a Verbo como classe de palavras.

10. Relatar uma fala muda o ponto de referência

No discurso direto, aparecem as palavras do falante: “Voltarei amanhã”. No indireto, relata-se o conteúdo: “Disse que voltaria no dia seguinte”. O retorno continua posterior à promessa; amanhã é reinterpretado a partir do dia dela.

Eu, aqui e amanhã dependem de quem fala, onde e quando: essa dependência é a dêixis. Ajuste pessoa, tempo e lugar quando a nova situação exigir.

Fala diretaRelato orientado pelo passado
Estou analisando.Disse que estava analisando.
Concluí o trabalho.Disse que havia concluído ou concluíra o trabalho.
Voltarei amanhã.Disse que voltaria no dia seguinte.
Venha agora.Ordenou que viesse naquele momento.

A tabela mostra deslocamentos usuais, não uma regra de troca automática. “Disse ontem que voltará amanhã” é possível se a volta ainda for futura para quem relata. A permanência de uma informação como válida também pode justificar a manutenção do presente.

11. Reescrever: correção não basta para preservar sentido

Considere “A equipe sabia que novas falhas iam ocorrer”. O conhecimento está no passado; as falhas são projetadas para depois daquele ponto. Trocar por ocorreriam preserva essa relação. Trocar por ocorriam pode produzir uma frase gramatical, mas passa a mostrar falhas habituais ou simultâneas àquele conhecimento.

O mesmo cuidado vale para as locuções: “O programa tem sido incentivado” e “O programa vem sendo incentivado” podem preservar uma ideia de continuidade até o presente. Isso não cria equivalência universal entre ter e vir, nem autoriza trocar por foi incentivado sem mudar a apresentação do processo.

Em cada troca, pergunte: a construção continua correta? A ordem dos acontecimentos permanece? O desenvolvimento e a atitude do falante são os mesmos? Confira pessoa, auxiliares e palavras que ligam as orações. Preservar a gramática não basta para conservar o sentido exigido pelo enunciado.

Referências

Nomenclatura e gramáticas de base

  • BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Nomenclatura Gramatical Brasileira, anexa à Portaria nº 36, de 28 de janeiro de 1959. Segunda parte, seção VI — Verbo. Reprodução hospedada pela Universidade Federal do Paraná. Sustenta a distinção entre modos, formas nominais e tempos, inclusive a denominação futuro do pretérito em lugar de condicional.
  • BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. Referência geral para flexão, formação do imperativo, tempos e modos verbais.
  • CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. Rio de Janeiro: Lexikon. Referência geral para os empregos dos tempos, a correlação verbal e o discurso relatado.
  • CASTILHO, Ataliba T. de. Nova gramática do português brasileiro. São Paulo: Contexto. Referência descritiva para tempo, aspecto, modalidade e construções com auxiliares no português brasileiro.
  • NEVES, Maria Helena de Moura. Gramática de usos do português. São Paulo: UNESP. Referência para a escolha de formas verbais em função da construção e do contexto.

Estudos e consultas dirigidas

  • BARBOSA, Juliana Bertucci. Interpretações semânticas no pretérito perfeito: pretérito ou presente. Revista Alpha, v. 12, p. 177–183, 2011. Registro e resumo no repositório institucional da Universidade Estadual Paulista. Sustenta a necessidade de considerar aspecto e contexto, além da localização temporal, ao comparar o perfeito simples e o composto.
  • PRADA, Edite. Tempos compostos com o verbo haver. Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, 6 out. 2010. Confirma que ter no presente seguido de particípio forma o pretérito perfeito composto do indicativo; esclarece o uso raro de haver nessa construção.
  • GAMA, Inês. As conjunções e modos verbais. Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, 5 dez. 2023. Seleção do subjuntivo por construções, predicados e conjunções; concessão não se reduz a irrealidade. A terminologia portuguesa conjuntivo corresponde ao subjuntivo empregado no capítulo.
  • MARTA, Eunice. Se não a vir, se não vier, vires e veres. Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, 25 maio 2012. Diferencia futuro do subjuntivo e infinitivo dos verbos ver e vir e apresenta correlações condicionais.
  • ÁLVARES, Teresa. Ordem, exortação e proibição. Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, 2 mar. 1999. Distingue formas do imperativo de outras maneiras de dirigir uma ação, inclusive o futuro do indicativo.
  • PRIBERAM. Conjugação de ser. Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Conferência de sê e sede no imperativo afirmativo. A denominação condicional presente no conjugador é tratada no capítulo segundo a nomenclatura brasileira, como futuro do pretérito.

Evidência de aplicação em prova

Fontes digitais conferidas em 5 set. 2026. O capítulo adota a nomenclatura escolar brasileira e distingue a interpretação de usos coloquiais da reescrita em padrão formal. Os exemplos didáticos são hipotéticos; a prova acima é identificada como fonte de aplicação, não como regra gramatical exclusiva.

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