5. Previsão e controle de estoque

Previsão de demanda, políticas de reposição, níveis, tempo de ressuprimento, estoque de segurança e métodos de avaliação de estoques.

Previsão e controle de estoque — revisão rápida

Diagnostique nesta ordem: demanda → saldo útil → prazo → quando pedir → quanto pedir → proteção → valor do saldo. Estoque excessivo imobiliza e deteriora; estoque insuficiente interrompe o serviço.

1. Previsão: o que o histórico realmente mede?

Demanda independente vem da necessidade do usuário; dependente deriva de outro item ou plano (por exemplo, componentes por kit). Série estável aceita média ou suavização simples; tendência pede método que acompanhe direção; sazonalidade pede ciclo explícito; intermitência tem muitos períodos sem consumo. Sem histórico confiável, registre hipóteses das unidades usuárias e eventos futuros.

Saída registrada não é toda a demanda se houve falta, requisição não atendida, substituição ou cancelamento. Ajuste unidade de medida e leia picos à luz do serviço antes de extrapolar. Diferencie planejamento (necessidade esperada), processo (pedir, adquirir, receber, disponibilizar) e política (gatilho e quantidade).

Método da aulaRegra e condição
Média móvelFt+1=(At+⋯+At−n+1)/nF_{t+1}=(A_t+\cdots+A_{t-n+1})/n: janela maior suaviza, mas demora a captar mudança.
Média ponderadaFt+1=∑wiAt−iF_{t+1}=\sum w_iA_{t-i}, com ∑wi=1\sum w_i=1: maior peso recente responde mais rápido.
Suavização exponencial simplesFt+1=αAt+(1−α)FtF_{t+1}=\alpha A_t+(1-\alpha)F_t, 0<α<10<\alpha<1: α\alpha maior reage mais; não modela tendência ou sazonalidade por si.

AtA_t é demanda observada, FtF_t previsão e nn número de períodos. Na convenção et=At−Fte_t=A_t-F_t, erro positivo é subprevisão. Erro médio assinado pode se cancelar; MAD é a média de ∣et∣|e_t| na unidade; MSE eleva o erro ao quadrado; RMSE volta à unidade; MAPE divide pelo realizado e falha com zero ou valor muito baixo. Valide em períodos posteriores aos do ajuste e compare com uma regra simples; bom ajuste no passado não garante previsão futura.

2. Qual saldo dispara a compra?

MedidaFunção na decisão
FísicoMaterial presente; pode incluir vencido, bloqueado ou reservado.
UtilizávelMaterial efetivamente apto e livre para atender nova demanda.
Em trânsitoPedido válido ainda não recebido/liberado; confira atrasos, cancelamentos e entrega parcial.
PosiçãoIP=utilizaˊvel+traˆnsito vaˊlido−faltas pendentesIP=\text{utilizável}+\text{trânsito válido}-\text{faltas pendentes}, na convenção da aula.

Exemplo: 80 utilizáveis, 40 em trânsito válido e 10 faltas pendentes dão posição 110. Não emitir pedido duplicado olhando só o físico, nem tratar ordem emitida como recebimento certo. Estoque de segurança protege contra incerteza; ponto de pedido aciona reposição; máximo limita ou almeja saldo; médio serve a custos/indicadores. “Mínimo” depende da fonte: na IN nº 205/1988 coincide com segurança.

Tempo de ressuprimento (lead time) deve ter começo e fim declarados: preparação/aprovação, compra, fornecedor, transporte, recebimento, inspeção e liberação podem integrá-lo. Prazo contratual de entrega não cobre necessariamente todo o tempo administrativo. Converta unidades: consumo diário pede prazo em dias.

3. Quando e quanto?

Para demanda média dd por período, prazo LL em períodos e segurança ESES:

PP=dL+ESPP=dL+ES

PPPP responde quando; não é a quantidade a pedir. Em revisão contínua (Q,r)(Q,r), observa-se a posição e pede-se lote QQ ao atingir rr. Em revisão periódica (R,S)(R,S), a cada RR períodos pede-se Q=S−IPQ=S-IP para elevar ao alvo SS; a proteção normalmente abrange R+LR+L. Duas gavetas são um sinal visual do consumo da reserva; ainda exigem dimensionamento e registro.

Convenção federal da SEDAP nº 205/1988, itens 7.6–7.8: cc é média mensal dos últimos 12 meses; TT vai da emissão do pedido ao recebimento no almoxarifado, em meses; II é intervalo entre aquisições normais. Para itens indispensáveis, o mínimo/segurança Em=cfEm=cf, com ff em princípio de 0,25T0{,}25T a 0,50T0{,}50T; máximo EM=Em+cIEM=Em+cI; ponto Pp=Em+cTPp=Em+cT; ressuprimento Q=cIQ=cI. São parâmetros daquela instrução e podem ser revistos à luz dos resultados. Ela rege o âmbito federal indicado, sem aplicação automática ao TCE-MA.

Segurança exige a hipótese da fórmula: com demanda variável independente por período e prazo fixo, ES=zσdLES=z\sigma_d\sqrt L; com demanda constante e prazo variável, ES=zdσLES=zd\sigma_L. zz é fator de serviço no modelo adotado; σ\sigma é desvio padrão da variável indicada. Não misture as fórmulas quando ambos variam sem modelo fornecido. Mais proteção custa mais; compare risco de falta com custo de posse. Serviço por ciclo mede ciclos sem ruptura; fill rate mede unidades atendidas imediatamente: uma pequena falta pode afetar pouco a segunda medida e já comprometer a primeira.

Lote econômico de compra (LEC) equilibra custo de pedir e de manter, no modelo clássico: Q∗=2DS/HQ^*=\sqrt{2DS/H}, em que DD é demanda por período, SS custo por pedido e HH manutenção de uma unidade no mesmo período. Lote maior reduz pedidos e aumenta estoque médio; o ótimo pressupõe demanda estável, custos constantes, entrega integral e ausência de ruptura. Embalagem, validade, espaço, desconto e orçamento exigem escolha entre alternativas viáveis. É apoio gerencial, não autorização de compra.

4. Que item merece proteção?

ABC ordena pelo valor anual de consumo (quantidade × custo unitário): A concentra valor, B é intermediária, C menor impacto. Percentuais de classe são convenções, não lei. XYZ nesta aula mede consequência da falta (X baixa, Y intermediária, Z alta); outras fontes usam as letras para previsibilidade. Um item barato C pode ser Z se interromper serviço essencial.

Giro = consumo no período ÷ estoque médio, em bases homogêneas; cobertura = utilizável ÷ demanda média por período. Acurácia de estoque confronta registro e físico; acurácia de previsão confronta realizado e previsto. Declare período, unidade e denominador da ruptura/atendimento; giro alto com falta frequente pode indicar proteção insuficiente.

5. Rotação física não determina valoração

Comando da questãoRecuperação correta
Qual material fornecer primeiro?A IN nº 205/1988, item 4.1, recomenda PEPS físico para evitar envelhecimento. Validade exige cuidado de rotação, sem confundir com camada de custo.
Como avaliar bens de almoxarifado?Lei nº 4.320/1964, art. 106, III: preço médio ponderado das compras; o MCASP, 11ª edição, preserva essa regra.
Como atribuir custo a outros estoques?Identificação específica para itens individualizados ou segregados; quando não possível, PEPS contábil atribui primeiro os custos mais antigos, ou média ponderada divide custo disponível pela quantidade. UEPS atribuiria custos recentes primeiro, mas não é critério admitido na norma indicada.

A NBC TSP 04 (R1) foi publicada em 17/3/2026 e entrou em vigor na publicação; sua cláusula manda aplicá-la aos exercícios iniciados a partir de 1º/1/2027, salvo prazo nacional específico. Não antecipar sua aplicação ao exercício de 2026. Nela, regra geral é menor entre custo e valor realizável líquido (preço estimado de saída menos gastos para concluir e vender/trocar/distribuir); distribuição gratuita ou irrisória compara custo e custo corrente de reposição; recebimento sem contraprestação usa valor justo na data. Custo inclui obtenção, transformação e gastos para levar ao local/condição atuais; desperdício anormal e armazenagem não necessária são despesa. Ao responder, leia fonte, objeto e exercício antes de escolher o método.