7. Agricultura, pecuária e extrativismo

Estrutura e produção agropecuária do Maranhão; principais produtos agrícolas; pecuária; extrativismo vegetal, animal e mineral.

Ler sem distrações

Agricultura, pecuária e extrativismo no Maranhão

O nome do produto, sozinho, não diz qual atividade econômica está em jogo. Açaí cultivado entra na produção agrícola; açaí coletado de vegetação espontânea entra no extrativismo vegetal. Peixe criado em viveiro é aquicultura; peixe capturado em ambiente natural é pesca. Em prova, o caminho mais seguro é perguntar primeiro de onde vem o produto e só depois procurar o número ou a fonte estatística.

Esse mecanismo organiza os itens 9 e 10 do edital:

  1. agricultura: cultivo de lavouras;
  2. pecuária: criação de animais e obtenção de produtos da criação;
  3. extrativismo: retirada de recursos de estoques naturais, sem que o estoque tenha sido criado pela própria atividade para a colheita.

1. Agricultura maranhense: duas escalas que coexistem

A estrutura agrária maranhense reúne estabelecimentos familiares numerosos e produção empresarial de maior escala. Os dois fatos não se excluem.

No Censo Agropecuário 2017, o Maranhão tinha 219.765 estabelecimentos agropecuários, com área total de cerca de 12,24 milhões de hectares. A agricultura familiar respondia por 85,14% dos estabelecimentos, mas por 30,88% da área. Logo, uma banca pode trocar a base do percentual para induzir erro: maioria dos estabelecimentos não significa maioria da área.

Agricultura familiar também não é sinônimo de produção apenas para subsistência. Ela pode combinar autoconsumo e venda, culturas alimentares, criações e inserção em mercados. Ao lado dela, há agricultura empresarial mecanizada, especialmente associada a grãos e fibras em áreas do Cerrado.

1.1 MATOPIBA: fronteira agrícola, não bioma

MATOPIBA é o nome da região formada pelo estado do Tocantins e por partes do Maranhão, Piauí e Bahia, marcada por forte expansão agrícola. Não é um bioma e não corresponde ao território integral de nenhum dos três estados parcialmente incluídos.

No Maranhão, esse processo ajuda a explicar a importância da produção empresarial de grãos no sul e no leste do estado. Para a prova, retenha a relação:

Cerrado + expansão da fronteira agrícola + mecanização + grãos/fibras → MATOPIBA.

2. Principais produtos agrícolas

A PAM mede, por município e ano civil, variáveis como área plantada, área colhida, quantidade produzida, rendimento médio e valor da produção. Não confunda essas grandezas.

Em 2024, a PAM mostra a centralidade de soja e milho na agricultura maranhense. Alguns números servem como âncoras, não como lista para decorar:

ProdutoProdução em 2024Leitura útil
soja~4,07 milhões de toneladasgrande destaque em área e valor; associada à agricultura empresarial do Cerrado
milho~2,38 milhões de toneladassegundo grande grão do estado
cana-de-açúcar~2,71 milhões de toneladastonelagem alta não significa maior valor econômico
mandioca~377,8 mil toneladascultura alimentar importante e presente na agricultura familiar
arroz~177,3 mil toneladascultura alimentar tradicional
algodão herbáceo em caroço~133,8 mil toneladascultura empresarial de fibras
banana~79,2 mil toneladaslavoura permanente de destaque

Duas classificações costumam render pegadinhas:

  • soja, milho, arroz, feijão, algodão herbáceo, cana-de-açúcar e mandioca são tratados pela PAM entre as lavouras temporárias;
  • banana, coco-da-baía, açaí cultivado e caju cultivado aparecem entre as lavouras permanentes.

A duração biológica da planta não basta para adivinhar a classificação estatística. Cana-de-açúcar e mandioca, por exemplo, são temporárias na pesquisa.

3. Pecuária: efetivo é estoque; produção anual é fluxo

A PPM investiga os efetivos dos rebanhos e produtos da pecuária. O ponto conceitual decisivo é separar estoque de fluxo:

  • número de bovinos ou suínos em 31 de dezembro = estoque;
  • litros de leite, dúzias de ovos ou quilogramas de mel produzidos ao longo do ano = fluxo;
  • abate é outro tipo de fluxo e não pode ser inferido do efetivo do rebanho.

Em 2024, os maiores efetivos maranhenses incluíam cerca de 13,52 milhões de galináceos — grupo estatístico que inclui galinhas e outras aves domésticas e 10,31 milhões de bovinos, além de suínos, caprinos, ovinos, equinos e bubalinos. A bovinocultura é ampla no território e envolve corte, leite e sistemas de dupla finalidade.

Nos produtos de origem animal, a PPM registrou aproximadamente 415 milhões de litros de leite, 40,2 milhões de dúzias de ovos de galinha e 3,36 milhões de quilogramas de mel em 2024.

Armadilha: “o maior rebanho” depende da espécie e da variável. Galináceos superam bovinos em cabeças, mas isso não autoriza concluir que tenham maior valor econômico, maior área ocupada ou maior produção de carne.

4. Extrativismo: o critério é a origem em estoque natural

No recorte do edital, extrativismo se divide em:

  • vegetal: coleta de produtos de vegetação espontânea;
  • animal: captura de animais em ambiente natural, com destaque econômico para a pesca;
  • mineral: retirada de substâncias minerais do subsolo ou da superfície por atividade minerária.

O contraste com atividades de cultivo ou criação é mais importante que o nome do produto.

SituaçãoClassificação
açaí cultivadoagricultura; PAM
açaí coletado de ocorrência espontâneaextrativismo vegetal; PEVS
eucalipto plantado para madeirasilvicultura, não extração vegetal
peixe criado em tanque ou viveiroaquicultura
peixe capturado em rio, estuário ou marpesca; extrativismo animal
ocorrência geológica identificadapotencial mineral; não prova produção
minério efetivamente lavradoprodução mineral

5. Extrativismo vegetal: carvão, babaçu, açaí e lenha

A PEVS, do IBGE, separa produtos obtidos por extração vegetal daqueles provenientes de florestas plantadas. Silvicultura é o cultivo e manejo de florestas plantadas para produção.

No Maranhão, em 2024, os produtos extrativos de maior expressão em valor incluíam carvão vegetal, amêndoa de babaçu, açaí e lenha. O carvão vegetal respondeu por parcela particularmente elevada do valor da extração vegetal estadual naquele ano.

5.1 Babaçu: produto econômico e território social

O babaçu não é só uma matéria-prima. A coleta e a quebra do coco integram modos de vida e cadeias de renda de comunidades tradicionais, especialmente das quebradeiras de coco babaçu. A amêndoa aparece nas estatísticas extrativas em toneladas; seus derivados incluem óleo e outros produtos beneficiados.

Para a prova, não confunda três etapas:

palmeira nativa → coleta/quebra do coco → beneficiamento da amêndoa e derivados.

A primeira relação é com o estoque vegetal espontâneo; o beneficiamento posterior é atividade de transformação.

6. Extrativismo animal: pesca não é aquicultura

O Maranhão possui extensa costa, estuários — zonas de encontro entre rios e mar —, manguezais — ecossistemas costeiros sujeitos às marés — e redes fluviais que sustentam pesca marinha e continental. A pesca extrativa captura organismos que já estavam no ambiente natural; a aquicultura cria organismos em ambiente controlado ou manejado para produção.

A mariscagem — coleta de moluscos e crustáceos em ambientes costeiros — integra esse universo extrativo. Manguezais funcionam como áreas de alimentação, reprodução e abrigo de diversas espécies, por isso a atividade econômica está ligada às condições ecológicas desses ambientes.

Não transforme cadastro profissional em estatística de produção: o RGP identifica pescadores e pescadoras profissionais; ele não mede, sozinho, a quantidade capturada.

7. Extrativismo mineral: potencial, título e produção são coisas diferentes

Em geografia econômica, quatro ideias devem permanecer separadas:

  1. ocorrência ou potencial mineral: a substância existe ou pode existir em determinada área;
  2. recurso/reserva: estimativa geológica com critérios técnicos próprios;
  3. título minerário: situação jurídico-administrativa perante a ANM;
  4. produção: substância efetivamente extraída e comercializada.

Assim, mapa de ocorrências não é ranking de produção.

Panorama da ANM publicado em abril de 2025 informa que o Maranhão produziu cerca de R$ 1,6 bilhão em bens minerais em 2023, com destaque para ouro e gipsita, mineral amplamente usado na produção de gesso. A geologia estadual também registra ocorrências de outras substâncias, como ferro, calcário, cobre, níquel, lítio, manganês e terras raras. A existência dessas ocorrências, porém, não prova produção comercial equivalente.

7.1 Logística e indústria não mudam o local da extração

Duas cadeias ajudam a evitar erros:

  • minério de ferro extraído no Pará pode chegar ao Maranhão pela Estrada de Ferro Carajás e ser exportado por terminal maranhense;
  • alumina e alumínio podem ser processados em São Luís a partir de matéria-prima originada de outros locais.

Porto, ferrovia ou indústria de transformação no Maranhão não significam, por si, que o minério foi extraído no estado.

7.2 Petróleo e gás natural

Petróleo e gás natural também são recursos minerais, mas sua regulação e suas estatísticas nacionais são tratadas pela ANP. O Maranhão tem produção terrestre de gás natural associada à Bacia do Parnaíba, uma bacia sedimentar terrestre. Para o corte deste concurso, é segura a edição brasileira do Anuário Estatístico 2026, publicada em 26 de junho de 2026 e consolidando dados até 2025.

8. Como resolver questões integradas

Quando a questão trouxer produto, município, estatística ou cadeia produtiva, percorra quatro perguntas:

  1. Origem: cultivado/criado ou retirado de estoque natural?
  2. Fonte: PAM, PPM, PEVS, ANM ou ANP?
  3. Variável: área, quantidade, rendimento, valor, efetivo ou produção?
  4. Território: onde ocorreu a produção ou apenas onde passou a carga/processamento?

Esse roteiro resolve a maior parte das trocas de conceito sem exigir memorização de tabelas extensas.

9. Corte temporal da SEAP-MA 2026

Este assunto respeita o corte do edital de 21 de julho de 2026. Os dados centrais usados aqui são de edições consolidadas anteriores ao corte: Censo Agropecuário 2017; PAM, PPM e PEVS de 2024; panorama mineral da ANM publicado em 2025; e edição brasileira do Anuário 2026 da ANP publicada em 26 de junho de 2026. Atualizações posteriores ao corte não são usadas para ampliar o conteúdo cobrável.

Referências

Controle do corte: para a Polícia Civil do Maranhão 2026, não foram usados como fundamento material publicado somente após 13/7/2026. Em particular, ficaram fora do recorte a notícia da Agência Nacional de Mineração de 21/7/2026 sobre repasses de Compensação Financeira pela Exploração Mineral e atualizações mensais da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis posteriores ao corte.

Proveniência e reaproveitamento

  • Classificação da U075: parcial/local. A unidade reúne, em um único pacote físico da PC-MA, dois recortes canônicos distintos da biblioteca; por isso não deve usar vinculo.json, que apontaria para apenas uma unidade canônica e perderia parte do programa.
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  • Doador canônico de extrativismo: src/content/biblioteca/historia-geografia-estado-maranhao/extrativismo-vegetal-animal-mineral/.
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O que foi reaproveitado e o que ficou local

  • Do canônico de agropecuária, a U075 reaproveita a estrutura agrária, agricultura familiar, MATOPIBA, classificação das lavouras, principais produtos, pecuária e a distinção estoque × fluxo.
  • Do canônico de extrativismo, reaproveita a fronteira cultivo/criação × retirada de estoque natural, babaçu/açaí/lenha/carvão, pesca × aquicultura, potencial/título/produção mineral, logística × local de extração e petróleo/gás.
  • A U075 condensa os dois doadores para os itens 9 e 10 do programa da PC-MA; não copia integralmente os capítulos canônicos. Ficam fora detalhes doadores sem ganho proporcional para este recorte, como séries ampliadas, CFEM, caça e inventários extensos de questões.
  • O corte também diverge: os canônicos do TCE foram fechados com corte documental de 04/08/2026; a U075 foi adaptada ao corte PC-MA de 13/07/2026. Por isso a referência da ANM de 21/07/2026 e outras atualizações posteriores ao edital foram excluídas do fundamento material da U075.
  • As questões anteriores foram adaptadas localmente, não copiadas como objetos do banco canônico: U075 preserva seus próprios IDs publicados e origin: previous_exam, com atribuições verificáveis a Cebraspe/CBM-TO 2021 e FGV/PM-MA 2012.
  • Pacote físico original publicado em c1e00edc44afebf5cf73c783ace20fd7a69e1b75. Antes desta reconciliação, C/H/R/Q permaneceram sem alteração material desde esse commit: C 667b534e1ec5720636cd1488b9887fdd3c0e500b; H 3b53e51436e1aaaeef5f301a82f5192d42755361; R 7ee97f1f9559dddb324e5a2662dcaae3804342ac; Q 61ac2de7af522616a833e940f1243ec8a9e8023d.
  • Auditoria de 21/09/2026: conteúdo e revisão cobrem integralmente o recorte combinado; questoes.json mantém schemaVersion: 1, questionSetRevision: 1, 10 IDs únicos, cinco alternativas por questão, gabaritos válidos e explicações não vazias. Não foi necessária resolução separada.
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