6. Verbo como classe de palavras

Estrutura verbal, formas nominais, classificações, auxiliares, vozes, valores de se, predicação e impessoalidade em questões de concursos.

Verbo como classe de palavras

Forma → sentido → construção. Conjugação, regularidade, predicação, auxiliaridade e voz são critérios independentes. Exemplos hipotéticos.

Forma e classificação

Cantávamos = cant- + -a- + -va- + -mos: radical (significado), vogal temática (conjugação), desinência modo-temporal, desinência número-pessoal. No futuro, partiremos = part- + -i- + -re- + -mos (radical, vogal temática, tempo/modo, pessoa/número). Tema = radical + vogal temática; nem toda forma permite separar todas as partes.

CritérioRecuperação
Conjugação-ar: primeira; -er: segunda; -ir: terceira; pôr e derivados pertencem à segunda
TonicidadeRizotônica: acento no radical (canto); arrizotônica: fora dele (cantamos)
RegularidadeRegular segue paradigma; irregular altera radical/desinências; ser/ir são exemplos estáveis de anômalos
DefectividadeLacunas no paradigma tradicional; não significa ausência de sujeito; reaver não copia todas as formas de haver
AbundânciaFormas equivalentes, sobretudo no particípio: aceitado/aceito

Formas nominais

  • Infinitivo nomeia: analisar. Pode ser pessoal sem marca visível: é preciso eu estudar.
  • Gerúndio apresenta desenvolvimento, modo ou simultaneidade: revisando. “Amanhã, às dez, estarei revisando” pode ser legítimo; uma cadeia para mero envio futuro pode ser inadequada ao sentido pretendido.
  • Particípio participa de tempo composto, passiva ou característica/estado: analisado/feito. Em tinha analisado, é invariável; em propostas foram analisadas, concorda com propostas.
Infinitivo no contextoDecisão
Sujeito próprio expresso antes da formaantes de os candidatos estudarem; preserve de os na redação formal
Unidade com auxiliar e mesmo sujeitodevem estudar, nunca devem estudarem
Mesmo sujeito fora da locuçãoPode haver opção de foco: saíram para estudar/estudarem
Percepção/causação com sujeito nominalPode haver alternância: vi os candidatos sair/saírem
Sujeito em pronome oblíquo nessa construçãovi-os sair, sem flexão

Diferença de agentes e clareza favorecem flexão; plural sozinho não a torna obrigatória.

Preferência tradicional para particípios duplos: regular com ter/haver; irregular com ser/estar. Pago, gasto, ganho, pego também ocorrem com ter/haver. Use chegado/trazido, não chego/trago como particípios. Particípio irregular não equivale a verbo irregular: pedir/peço tem pedido regular.

Predicação e auxiliaridade

EmpregoRelação
revisou o textoVTD: objeto direto
precisa de apoioVTI: objeto indireto
entregou o texto à chefiaVTDI: dois tipos de objeto
o bebê dormiuVI: sem objeto nesse uso
parece tranquilaVL: sujeito + predicativo

“Escreveu o parecer” tem objeto; “escreve bem” pode ser intransitivo. Circunstância não é automaticamente objeto. Assistir o paciente (prestar assistência) e assistir à sessão (presenciar) diferem em sentido e predicação.

ConstruçãoRecuperação
havia estudado / estava estudandoTempo composto / desenvolvimento; auxiliares concordam com o sujeito
estava cansadaEstar de ligação, com predicativo
deve/pode estudarObrigação/probabilidade; possibilidade/capacidade/permissão, conforme contexto
vai estudar; hão de estudarFuturidade/intenção; proximidade não é necessária
vinham sendo revisadosDesenvolvimento + passiva; pessoa/número no primeiro auxiliar
deseja estudarNão classificar automaticamente como locução: desejar pode reger oração reduzida

Voz passiva e valores de se

A comissão aprovou as propostas → as propostas foram aprovadas pela comissão. Objeto direto da ativa → sujeito paciente; ser preserva tempo/modo; auxiliar e particípio concordam com propostas; agente pode ser omitido.

Objeto direto é condição necessária para essa transformação, mas não suficiente: haver existencial não admite passiva. Sujeito de voz ativa também não precisa ser agente intencional.

Construção/testeAnálise
Publicam-se relatórios → relatórios são publicadosPassiva sintética; sujeito paciente determina concordância
Precisa-se de apoio; vive-se bemIndeterminação com VTI ou VI, no singular
Ela se feriu → a si mesmaReflexivo
Colegas se cumprimentaram → uns aos outrosRecíproco na leitura mútua
arrependeu-se; queixou-seParte integrante de verbo pronominal
foi-se emboraExpletivo, retirável sem destruir a estrutura básica
se vierConjunção condicional

Passiva sintética normalmente usa VTD ou VTDI, mas a etiqueta não decide: ela se feriu é reflexiva. Têm-se publicado relatórios: auxiliar no plural. Foi aprovado não equivale a era aprovado.

Foi assinado focaliza evento; está assinado pode focalizar estado resultante. “Caso difícil de resolver” admite leitura passiva; de + infinitivo não é sempre passiva.

Impessoalidade

ConstruçãoSujeito e concordância
há/houve recursos; há dois anosHaver existencial/temporal: sem sujeito, singular
faz dois anos; fez calorFazer temporal/climático: sem sujeito, singular
choveu / choveram pedidosFenômeno literal impessoal / uso figurado pessoal
deve haver alternativas; pode fazer mesesImpessoalidade do principal alcança auxiliar
existem/devem existir alternativasExistir pessoal: alternativas é sujeito
candidatos haviam estudado; hão de estudarHaver auxiliar pessoal; diferente de há de haver alternativas
candidatos houveram por bem recorrerHaver por bem pessoal
é uma hora; são duas horasSer tem concordância especial em horas/distâncias; não estender a haver
os cães latiramUnipessoal típico com sujeito e terceira pessoa plural

Sujeito indeterminado existe, mas não está identificado; oração sem sujeito tem verbo impessoal. Ter existencial é corrente na fala; na redação formal, prefira haver/existir conforme o contexto. Ter com sujeito possuidor é outro emprego.

Para reescrever: localize sujeito e objetos; teste passiva/reflexividade/reciprocidade; confira sentido, auxiliar, flexão e preservação do acontecimento.